Blitzkrieg no Barlavento

Blitzkrieg no Barlavento

A nudez é como a tecnologia nuclear, uma força que pode ser usada para o bem ou para o mal, é um perigo se cair nas mamas erradas. Caso mais grave que o da queda das arribas, estranhamente a Protecção Civil não parece muito preocupada com o flagelo das turistas alemãs de meia idade a fazer nudismo no Algarve, não há placas suficientes a alertar para “PERIGO. MAMAS DESCAÍDAS”. Lamentável. O efeito de uma alemã nua é muito mais dramático que o da água gelada: há casos de homens a quem efectivamente desapareceu o sexo depois de um destes avistamentos, sobrando uma triste ervilha para lembrar as glórias de tempos passados. Mas não são só as senhoras, quando vou dar a corridinha de fim de tarde lá calha cruzar-me com um cavaleiro teutónico de espada desembainhada a apontar para Marrocos.

Fazem-me muita confusão os eventos desportivos al fresco, como as corridas e os “World Naked Bike Ride”. Ora, eu mesmo com um calçãozinho de lycra bem acolchoado já acabo o passeio com um andar prontinho para o gangnam style, aquela gente deve ficar mais assada que um salmão na chapa.

Algumas notas sobre a tipologia da nudez. Diz-se nu “integral” porque mete sementes e tofu? E se meter, mete onde? Outra questão, qual é a diferença entre o nu “normal” e o nu “explícito”? O conceito de nudez não é suficientemente claro?

Como se traça a fronteira entre um nu convencional e um nu “artístico”? Basta pôr uma rosa na boca? Há algum organismo que regule isto? Uma coisa eu sei, não posso contar com os meus vizinhos para clarificar isto, fazem sempre reparos desagradáveis quando estendo a roupa nuzinho, não têm pinga de sensibilidade artística.

Sou um fã de Spencer Tunick e das suas fotos do nu em massa, há mais gente nua numa foto dele do que na Casa dos Segredos à hora de almoço. Ainda assim acho que devia ter mais cuidado com a matéria-prima das suas fotos, porque de vez em quando vêem-se lamentáveis erros de casting. E não me diga que “a mamilo dado não se olha o dente”, pois lá por se tratar gente em pelota, não quer dizer que não haja o mínimo de decoro. Gimnofobia designa tecnicamente um medo irracional da nudez. Se se tratar da Fanny compreendo perfeitamente.

Em relação à realidade portuguesa, estou muito desiludido pela forma como tratam a nudez nas revistas masculinas, aquilo nem deve ser considerado conteúdo para adultos. Já vi capas da Playboy com menos pele que o video da Popota. O que fazia falta neste país eram mais mulheres de fibra prontas a mostrar a peitaça sem medos por uma sandes de queijo, uma Rute Marlene e irmã em cada esquina. E uma Ana Malhoa, porque os camionistas também são filhos de Deus.