Dizem que cachaça é água…

Dizem que cachaça é água…

Li ontem que o Carnaval de Loulé vai ter corte de 20% no orçamento. Fiquei muito preocupado com a possibilidade de a austeridade se estender a outros locais, pois não estou preparado para uma redução em 1/5 do tamanho do busto das matrafonas de Torres Vedras.

Quando era gaiato gostava muito do Carnaval. Era um tempo em que os queixinhas da ASAE chateavam bastante menos,  sendo possível encontrar em qualquer papelaria de bairro mais agentes químicos nocivos que nos arsenais iraquianos dos anos 80.  Um rapazola podia sem qualquer chatice comprar um engenho explosivo que faria qualquer etarra de barba rija corar de vergonha.  Acabou-se para sempre a emoção de ver detonar as “bombinhas”, composições pirotécnicas capazes de vazar uma vista ou mandar para o galheiro um póquer de dedos, e por vezes a mão inteira. Apesar do diminutivo carinhoso “bombinha”, a verdade é que houve alguns quarteirões de Berlim arrasados com bem menos na Segunda Guerra. Those were the days.

Eu, vá-se lá saber, era um mariconço de primeira e já ficava feliz por rebentar os célebres “estalinhos”,  que consistiam em dois grãozitos de pólvora enrolados  em papel crepe. Para mim era quanto bastava: uma caganita de material explosivo e já me sentia um rebeldezorro, o Pancho Villa do bairro de Santa Teresinha.

E que dizer do balão de água, provavelmente a melhor invenção desde a lingerie rendada, apesar de que na pré-puberdade eu ainda não tinha discernimento para analogias tão sofisticadas.

Mas há coisas no Carnaval que ainda vão resistindo à marcha do tempo. Passados todos estes anos, seria de esperar que toda a gente o soubesse, pois dizem que cachaça não é água não, a cachaça vem do alambique e a água vem do ribeirão. Mas afinal parece que não, da forma apaixonada como o tema continua a ser interpretado e trauteado em comboiinhos de foliões, diria que ainda subsistem muitas dúvidas.

To be continued.