Queres a minha opinião?

Queres a minha opinião?

“Ninguém dá nada a ninguém.” Ora bem, isto não é exactamente verdade, pois há uma excepção evidente: a opinião. Gosto muito do verbo opinar, até porque qualquer palavra que que inclua a expressão “pinar” ganha automaticamente a minha simpatia.

A opinião é o único exemplo de bem que toda a gente está disposta a providenciar em quantidades generosas inclusivamente quando para tal não é solicitado. Apesar da conjuntura verifica-se que a manufactura de opinião é uma das poucas indústrias anti-crise.

Na realidade, apesar do recurso a alguns artifícios de linguagem mais ou menos eufemísticos, a opinião face-a-face é frequentemente mais imposta que oferecida. Quando alguém questiona “Queres a minha opinião…?”, está a fazê-lo num plano meramente retórico. Pode dizer-se que a opinião é oferecida da mesma forma que os nazis ofereceram um InterRail pela Europa a milhões de judeus e ciganos. Nunca ouvi “Queres saber o que eu acho?” enunciado como uma pergunta, assim como nunca ouvi ninguém dizer “Na minha humilde opinião” de forma humilde.

Devido a um infeliz acaso cósmico, o universo das pessoas mais chatas coincide de forma quase geométrica com o das pessoas que gostam de fazer ouvir o que pensam. Iniciando longos monólogos por “Como eu costumo dizer…”, estes indivíduos gozam de uma popularidade ao nível da caspa ou da mosca na sopa. Ou talvez nem tanto, se querem a minha opinião.