Um deus alemão em cada nuvem

Um deus alemão em cada nuvem

 

Foi  com muito agrado que tomei conhecimento da nova campanha da Vodafone, onde a Soraia Chaves faz de sereia. Aprecio particularmente porque agrega duas temáticas que me tocam no coração: o busto da senhora e a mitologia grega. Devo dizer que venho seguindo com grande curiosidade a carreira da actriz, com particular interesse nas partes em que aparece nua. E até nem desgosto das cenas com cabedal negro e chicote em “Call Girl”, é mesmo verdade  que o preto dá com tudo.

 

 

A sereia. A forma hipnótica como a senhora dá ao rabo no anúncio gera em mim uma tensão danada no baixo ventre. Suponho que tem aqui origem a  figura mitológica do “Tosão de Ouro”, uma metáfora para o estado de aflição a que chegaram os desgraçados dos marinheiros embarcados no mar Egeu, meses a fio sem deitar o dente a uma mulher.

 

 

Mas vamos aos gregos.  Quero aproveitar para gozar com eles enquanto ainda não se sabe muito bem das contas da Madeira, porque depois pode ser demasiado tarde. Está-me cá atravessada aquela desfaçatez  da final do Euro2004, acho que foi uma grande falta de educação. No que diz respeito ao exercício da chacota isto não é como o Sporting, em que uma pessoa sabe que pode fazer pouco de forma impune, que nunca corre o risco de vir a engolir as palavras.

 

Eu até sou um grande entusiasta da Grécia Antiga, exceptuando aquela fixação em comer rapazinhos. Os gregos, à semelhança de outros povos da antiguidade, deitavam-se à adivinhação com base no voo das aves e nas entranhas dos animais. Cumpridores devotos das tradições, ainda hoje, passados tantos séculos, é assim que se fazem os orçamentos em Atenas.

O (péssimo) exemplo vem de cima, dos próprios deuses do Olimpo, que passavam o tempo a vegetar  às custas do Rendimento Social de Inserção, comendo uvas e tocando lirazinha. Chronos comia os filhos no nascimento para os regurgitar a seguir; Penélope passava o dia a tricotar uma colcha, para a desfazer à noite: é daqui que vem o despesismo e a má gestão de recursos. Se lá houvesse nem que fosse só um deus alemão, não tinha acontecido nada disto, punha logo aquela gente a fazer frigoríficos.  Mas a pouca vergonha acabou depressa:  Hércules, o semi-deus, foi a primeira vítima dos cortes no rating.

Mas há outras histórias igualmente dramáticas. Prometeu, que roubou o fogo dos deuses e foi condenado a ficar eternamente acorrentado a um rochedo, era gozado no Panteão por se  mexer menos que o Maniche.

 

 

Facto pouco conhecido, o famoso cavalo de Tróia foi o primeiro produto da IKEA, apesar de nunca ter saído tanto como a estante “Billy” ou a cadeira de baloiço “Poäng”.

Termino com uma das figuras mais populares da mitologia grega: o Centauro, metade homem, metade cavalo. Não é por nada, mas não acho nada de especial isso de ter a parte de baixo a fazer  lembrar um cavalo: eu tenho, só que não sou pessoa de me gabar.